quarta-feira, 22 de março de 2017

Fusos horários do Brasil

Atualmente, os fusos horários do Brasil estão divididos como segue abaixo. 
O primeiro fuso está atrasado em 2h em relação ao fuso inicial (GMT - Greenwich Meridian Time), e define as horas nas ilhas oceânicas brasileiras, como o arquipélago de Fernando de Noronha e as Ilhas de Trindade e Martin Vaz. Curiosamente, as Ilhas de Trindade e Martin Vaz pertencem oficialmente ao município de Vitória, capital do Espírito Santo, embora estejam localizadas a mais de 1300 km da costa.
O fuso seguinte do Brasil está atrasado em 3h em relação ao fuso inicial (-3h GMT). Este é considerado o fuso oficial do país, o famoso horário de Brasília. O fuso -3 define grande parte dos horários dos estados brasileiros e do Distrito Federal, incluindo todas as unidades federativas das regiões Nordeste, Sudeste e Sul, mais os estados do PA, AP e TO, região Norte, e GO e DF, Centro-Oeste.
Os outros estados da região Norte, maior parte do AM, RR e RO, e os estados da região Centro-Oeste, MT e MS, estão atrelados ao fuso -4h GMT. Nestes estados o horário está atrasado em 1 hora em relação ao horário de Brasília.
O último fuso do Brasil é o -5h GMT. Este fuso cobre o extremo sudoeste do estado do AM e o estado do Acre. Nessa porção do Brasil, o horário está 2 horas atrasadas em relação a Brasília. No horário de verão essa diferença se eleva para 3 horas.


Resultado de imagem para fusos horários do brasil 2014


A "Treta" sobre o fuso horário do Acre

Em 2008, a partir de uma lei federal (nº 11.662/2008), os fusos horários do Brasil sofreram alterações. O estado do PA, que estava dividido entre dois fusos, -3h GMT e -4h GMT, passou a ter como referência apenas o fuso -3h GMT, o fuso oficial de Brasília. E a alteração mais polêmica foi a incorporação do Acre e o extremo oeste do AM ao fuso -4h GMT. Dessa forma, o Brasil passaria a ter apenas três fusos horários: -2h GMT, -3h GMT e -4h GMT. 
Essa alteração do horário do Acre estava atrelada, principalmente, aos interesses das empresas de comunicação, sobretudo de TV. Porque a diferença de 2 horas em relação a Brasília impactava na exibição de programas, que de acordo com o perfil, devem ser transmitidos em determinados horários. Por sua vez, cada item da programação possui seus próprios anunciantes, segundo o perfil dos telespectadores. 
Por outro lado, atraso em 1 h acabou impactando a rotina dos moradores do Acre. O estado encontra-se no extremo oeste do Brasil e, portanto, a luz solar chega após a maior parte do país. Nesse sentido, os moradores do AC, na prática, tiveram que passar a acordar mais cedo, em muitos casos antes mesmo do sol nascer, para iniciar suas atividades. Os estudantes, particularmente, foram muito impactados. Muitos tinham que acordar ainda mais cedo, na madrugada, para irem para a Escola. 
Parte da população do Acre se mobilizou para pressionar o Governo Federal a rever essas alterações. E em 2010 foi realizado um referendo popular em que cerca 60% dos votos foram favoráveis ao retorno do fuso horário antigo (-5h GMT). No entanto, só em 2013 com a lei federal 12.876/2013, o Acre e o sudoeste do AM retornaram ao fuso -5h GMT. 

A esse respeito, a AGB (Associação dos Geógrafos Brasileiros) se manifestou sobre a questão em carta aberta direcionada aos Deputados Federais e Senadores, como segue abaixo: 

SOBRE A POLÊMICA DO FUSO HORÁRIO NO ESTADO DO ACRE

São Paulo, 28/02/2011
Carta Aberta aos Senadores e Deputados Federais
A Diretoria Executiva Nacional da Associação dos Geógrafos Brasileiros manifesta seu repúdio ao fato de que interesses privados, vinculados a emissoras de televisão, estejam a tentar obstruir a que se torne lei a vontade expressa pela população do Acre em referendo popular, relativo ao retorno ao fuso horário vigente no Estado em 2008.
O mais elementar entendimento a respeito da questão diz que acima do interesse privado das emissoras de televisão estão a saúde e a vontade da população.
Tornou-se emblemático do absurdo da situação o artigo de Marcelo Leite, em sua coluna sobre ciência, na Folha de São Paulo, de 21 de junho de 2009: "Seria uma crueldade com as crianças que vão à escola de manhã. Não basta levantar cedo, num horário em geral incompatível com a fisiologia do aprendizado. Para piorar, ainda teriam de sair de casa e começar as aulas no escuro."
Aproxima-se da insanidade a insistência de interesses privados em tentar tornar-se mais imperativos do que as mais óbvias condições da fisiologia humana.
Diretoria Executiva Nacional da Associação dos Geógrafos Brasileiros
http://www.agb.org.br/2012/index.php?option=com_content&view=article&id=83


Mais informações: 
http://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2013/10/lei-que-altera-fuso-horario-do-acre-e-de-parte-do-amazonas-e-sancionada.html









segunda-feira, 20 de junho de 2016

10 perguntas para entender o conflito entre israelenses e palestinos

Matéria da BBC Brasil de setembro de 2014. Após mais um ataque Israelense à Faixa de Gaza, território ocupado por Palestinos. 
São 10 questões para nos ajudar a entender esse conflito entre Israelenses e Palestinos. 
De um lado, os Palestinos (Árabes) lutam pela criação do Estado da Palestina, que abrangeria boa parte do atual Estado de Israel, ampliado desde sua criação em 1948. De outro, Israel não abre mão de nenhuma parte de seu atual Território, em especial Jerusalém, que é reivindicada pelos Palestinos como capital de seu Estado. 
Abaixo segue mais informações: 

1. Como o conflito começou?

O movimento sionista, que procurava criar um Estado para os judeus, ganhou força no início do século 20, incentivado pelo antissemitismo sofrido por judeus na Europa.
A região da Palestina, entre o rio Jordão e o mar Mediterrâneo, considerada sagrada para muçulmanos, judeus e católicos, pertencia ao Império Otomano naquele tempo e era ocupada, principalmente, por muçulmanos e outras comunidades árabes. Mas uma forte imigração judaica, alimentada por aspirações sionistas, começou a gerar resistência entre as comunidades locais.
Após a desintegração do Império Otomano na Primeira Guerra Mundial, o Reino Unido recebeu um mandato da Liga das Nações para administrar o território da Palestina.
Mas, antes e durante a guerra, os britânicos fizeram várias promessas para os árabes e os judeus que não se cumpririam, entre outras razões, porque eles já tinham dividido o Oriente Médio com a França. Isso provocou um clima de tensão entre árabes e nacionalistas sionistas que acabou em confrontos entre grupos paramilitares judeus e árabes.
Após a Segunda Guerra Mundial e depois do Holocausto, aumentou a pressão pelo estabelecimento de um Estado judeu. O plano original previa a partilha do território controlado pelos britânicos entre judeus e palestinos.
Após a fundação de Israel, em 14 de maio de 1948, a tensão deixou de ser local para se tornar questão regional. No dia seguinte, Egito, Jordânia, Síria e Iraque invadiram o território. Foi a primeira guerra árabe-israelense, também conhecida pelos judeus como a guerra de independência ou de libertação. Depois da guerra, o território originalmente planejado pela Organização das Nações Unidas para um Estado árabe foi reduzido pela metade.
Leia mais: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/08/140730_gaza_entenda_gf_lk

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Forma da Terra, inclinação de seu eixo e seus movimentos

Em função da forma da Terra, uma geóide, uma esfera levemente achatada nos pólos, e da inclinação de seu eixo, sabemos que a intensidade da luz solar não incide com mesma intensidade em toda a superfície terrestre. As áreas com baixas latitudes, as mais próximas da linha do Equador, recebem maior quantidade de energia solar. Na medida em que as latitudes aumentam, a quantidade de energia solar diminui. A partir disso se definiu as Zonas Climáticas ou Térmicas. Esse fenômeno é fundamental para entendermos as diferenças climáticas, de vegetação e mesmo de culturas que encontramos no Planeta Terra. 
Além dos fatos acima, os movimentos da Terra (Rotação e Translação) são determinantes para a diversidade de condições para o desenvolvimento da vida na Terra. O movimento de Rotação (movimento sob o seu próprio eixo), que dura aproximadamente 24 hs, define o período do dia e da noite, assim como as diferenças de horários entre os lugares (Fusos Horários). O movimento de Translação (movimento ao redor do Sol),  que dura 365 dias e 6 horas, define as estações do ano. Abaixo segue um esquema do movimento de Translação e dos vídeos sobre os movimentos de Rotação e de Translação da Terra. 










quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Parabolicamará: mundo reduz e o mercado global se consolida

Parabolicamará

Gilberto Gil

Antes mundo era pequeno
Porque Terra era grande
Hoje mundo é muito grande
Porque Terra é pequena
Do tamanho da antena
Parabolicamará

Ê volta do mundo, camará
Ê, ê, mundo dá volta, camará

Antes longe era distante
Perto só quando dava
Quando muito ali defronte
E o horizonte acabava
Hoje lá trás dos montes
dendê em casa camará

Ê volta do mundo, camará
Ê, ê, mundo dá volta, camará

De jangada leva uma eternidade
De saveiro leva uma encarnação
Pela onda luminosa
Leva o tempo de um raio
Tempo que levava Rosa
Pra aprumar o balaio
Quando sentia
Que o balaio ía escorregar

Ê volta do mundo, camará
Ê, ê, mundo dá volta, camará
Esse tempo nunca passa

Não é de ontem nem de hoje
Mora no som da cabaça
Nem tá preso nem foge
No instante que tange o berimbau
Meu camará

Ê volta do mundo, camará
Ê, ê, mundo dá volta, camará

De jangada leva uma
eternidade
De saveiro leva uma encarnação
De avião o tempo de uma saudade
Esse tempo não tem rédea
Vem nas asas do vento
O momento da tragédia
Chico Ferreira e Bento
Só souberam na hora do destino Apresentar

Ê volta do mundo, camará
Ê, ê, mundo dá volta, camará

Expansão das multinacionais brasileiras




segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Segundo uma pesquisa divulgada pela Fundação Dom Cabral, as multinacionais brasileiras continuam a avançar ao redor do mundo. Neste novo estudo, a novidade é a entrada das empresas em novos territórios africanos. Este é o caso de Cabo Verde, alvo da política externa brasileira desde o governo de Luís Inácio Lula da Silva.
Nos últimos anos, o mundo assistiu à internacionalização de empresas brasileiras. As multinacionais do Brasil estão expandindo seus negócios pautados em um novo direcionamento da política externa do governo brasileiro que - pode-se dizer - estabeleceu um vínculo entre a diplomacia e os empresários nacionais. O processo de internacionalização das multinacionais está amparado na criação de linhas de crédito oferecidas pelo governo Federal para financiar os investimentos no exterior.
No final do mês de agosto, a escola de negócios Fundação Dom Cabral (FDC) divulgou o Ranking das Multinacionais Brasileiras - 2013. A oitava edição do levantamento organizada pela FDC, que consistiu em uma investigação com 63 multinacionais brasileiras, mostra que a intenção das empresas é a de expandir seus negócios para a América do Sul, Canadá, Sudeste Asiático, China e Rússia. Mas, por outro lado, o estudo identificou que as multinacionais expandiram, em 2012, suas operações na África, sobretudo na Tunísia, Marrocos, Gana e Cabo Verde.
(...)
Leia matéria na integra: http://www.oplop.uff.br/boletim/2715/cabo-verde-transforma-se-em-novo-destino-de-multinacionais-brasileiras
Desde 2003 o Brasil passou a implementar uma política externa que visava, de um lado, proporcionar mais autonomia ao país em relação aos polos econômicos tradicionais (EUA, União Europeia e Japão) e, de outro, se aproximar dos países do Sul, ou seja, da América Latina, África e Ásia. Esta mudança de postura na política externa, na verdade, tem servido de plataforma para os investimentos de empresas brasileiras em tais regiões. Nos últimos anos os investimentos das chamadas multinacionais brasileiras cresceram bastante no exterior, com destaque para corporações como a Petrobras, VALE, Camargo Correa, Itaú, etc. A matéria acima mostra o crescimento da atuação das empresas nacionais no continente africano.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Entrevista com Raúl Reyes, lider das FARC, morto em 2008

Entrevista concedida por Raúl Reyes à Revista Fórum dois meses antes de ser morto pelo Exército Colombiano. É um documento rico para compreendermos um pouco sobre a história, os objetivos e a geopolítica entorno das Forças Revolucionárias da Colômbia.  O movimento guerrilheiro mais antigo da América Latina. 

Fórum – Em 43 anos de luta, quais foram os grandes acertos e erros das Farc?
Reyes – O principal acerto das Farc foi ter sido criada como organização de oposição ao regime e converter-se hoje em uma opção de poder para governar a Colômbia. O erro, talvez por causa da guerra, foi não ter chegado ao poder. Porque as guerrilhas, em qualquer parte do mundo, que tenham planos bem definidos como a nossa, querem chegar ao poder e derrubar o regime governante. Em nosso caso, já passou todo esse tempo e não conseguimos ainda. Mas houve um importante desenvolvimento, uma experiência riquíssima. Conseguimos formar um grupo grande de jovens, homens e mulheres com capacidade de fazer qualquer trabalho revolucionário, dirigir organizações guerrilheiras grandes ou pequenas, capazes de aportar os conceitos políticos e ideológicos da organização, conhecimentos suficientes sobre as razões das lutas. Isso me dá a certeza de que um dia deixaremos de ser clandestinos e nos lançaremos à luz pública. Estamos satisfeitos por ser uma guerrilha independente, revolucionária, com ideologias e convicções inspiradas na Revolução Cubana, no Che, em Mao Tsé-Tung, em Ho Chi Minh e em nossa própria experiência, que é riquíssima.
Fórum – Mas o senhor acredita que a organização ainda pode chegar ao poder?
Reyes – Sobre isso não resta a menor dúvida: as Farc continuam lutando pelo poder e vão conseguir de qualquer maneira, seja pela via armada, seja pela via democrática, com acordos políticos. As Farc não fazem a guerra pela guerra. Fomos obrigados pelo Estado colombiano a fazer a guerra para nos defender e conseguir a paz. Todas as ações militares que as Farc realizam não possuem um caráter distinto do político. Porque somos uma organização com uma proposta de governo, uma proposta de Estado. Uma proposta para uma Colômbia diferente da que nos foi imposta pelos comandantes da oligarquia colombiana. As Farc não estão contra as eleições, porque somos uma organização comunista. Mas temos que saber quando poderemos participar de eleições e para quê. Se existe um processo que possibilite nossa participação, podemos participar e contribuir de alguma maneira. Caso contrário não faz sentido. Porque já tivemos a experiência do genocídio contra a União Patriótica.
Fórum – Como seria um governo das Farc?
Reyes – Seria um governo do povo para o povo. Um governo bolivariano, antiimperialista. Um governo de integração e irmandade com todos os países do mundo e particularmente com os vizinhos da Colômbia. Um governo que trabalharia pela integração latino-americana, pela Pátria Grande e pelo socialismo. Teríamos que conformar um novo exército, mais bolivariano e que respeite os Direitos Humanos sem nunca usar as armas contra o povo. Desde 1994, as Farc têm uma proposta para um novo governo: pluralista, patriótico, democrático e de reconciliação nacional. Um governo que abrigue todos os setores: sociais, docentes, estudantis, feministas, camponeses, indígenas, intelectuais, jornalistas etc. Mas também da insurgência revolucionária e dos partidos de esquerda. Se existem setores do Pólo Democrático Alternativo (partido de esquerda) que querem estar aí, sejam bem-vindos. Assim como do Partido Liberal, do Partido Conservador, da Igreja Católica também. Convidamos os militares patriotas, bolivarianos. Quer dizer que é uma concertação política para um grande acordo nacional, pela paz, pela convivência.
Fórum – As Farc mantêm ligação com o narcotráfico?
Reyes – Nenhuma. As Farc só mantêm ligação com os camponeses, que por não terem garantias de crédito e de assistência do Estado recorrem à produção de coca. Mas eles não são narcotraficantes. São trabalhadores rurais, que em algumas regiões plantam coca e em outras a papoula. Quem compra deles esses produtos é que são os narcotraficantes. As Farc têm vínculos com esses trabalhadores rurais, assim como têm vínculos com os plantadores de soja, de milho, de feijão, criadores de gado. Cobramos impostos, não dos camponeses, mas de quem compra deles os produtos. Em troca não deixamos que os roubem nessas negociações e que paguem o que é justo.
Fórum – Os seqüestros extorsivos também são outra forma de arrecadação questionável…
Reyes – As Farc não seqüestram. O que fazemos é cobrar impostos daqueles que financiam a guerra na Colômbia, como está previsto na lei 002, aprovada pelo Estado Maior central de nossa organização. Todos que têm patrimônio de mais de US$ 1 milhão têm de pagar 10% do que arrecadam para as Farc. Alguns pagam voluntariamente, outros se negam a pagar. E quando não pagam, prendemos até que paguem. Fazemos o mesmo que fazem os governos de todo o mundo com aqueles que não pagam impostos.

Entrevista na íntegra: http://www.revistaforum.com.br/blog/2012/02/raul-reyes-a-voz-das-farc-2/

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Matéria do Fantástico sobre o Estado Islâmico


Esta é uma matéria do Fantástico exibida no final de agosto (24). É uma matéria que traz algumas informações importantes sobre o Estado Islâmico como: a sua estratégia de propaganda por meio de vídeos na internet, o recrutamento de ocidentais, a relação entre os membros do Estado Islâmico e a Guerra Civil na Síria, o financiamento do EI a partir de poços de petróleo localizados nos territórios ocupados, normas radicais em relação as práticas e comportamentos, etc. 
No entanto, é preciso ressaltar que a matéria não aprofunda nas reais causas para o surgimento do EI e sua expansão na Região. Assim como outros grupos terroristas extremistas como a Al Qaeda, o EI é fruto de processos contraditórios envolvendo as potencias ocidentais, em particular os EUA, no Oriente Médio e Norte da África. Neste sentido, é necessário apontar algumas questões: 
1- Os membros do EI são adeptos do Islamismo, na sua vertente Sunita. Sadam Hussein, enquanto Sunita, governou o Iraque por décadas, um país de maioria Xiita. Com a queda de Sadam Hussein, os Sunitas passaram a ser marginalizados, na medida em que poder político do país passou para as mãos dos Xiitas, com aval dos EUA. Portanto, o surgimento do EI no Iraque não é por acaso. Surgiu com essas características a partir de desocupação estadunidense a partir de 2011; 
2- O arsenal do EI, em grande parte, provém das próprias potenciais ocidentais. Com seu processo de expansão territorial, o EI passou a tomar os armamentos do Exército Iraquiano (corrupto e despreparado) e também dos rebeldes da Síria, que possui o apoio das potenciais ocidentais contra o Governo do Presidente Bashar al-Assad; 
3-A mídia ocidental, ligada aos EUA e seus aliados, reforça a ideia de que o fundamentalistas/extremistas pregam valores que vão de encontro a valores universais como a liberdade e a dignidade humana. No entanto, há governos muçulmanos aliados dos EUA onde as normas são muito rígidas, sobretudo para as mulheres, como é o caso da Arábia Saudita; 
4- Outra questão negada pela matéria refere-se a uma das principais causas para a expansão do fundamentalismo religioso na Região. Até Segunda Guerra Mundial, o Oriente Médio era composto por Territórios controlados pelas potências Europeias, em particular, o Reino Unido. Com o processo de independência após a Guerra, foram surgindo vários países. No entanto, apesar de independentes politicamente, tais países ainda mantinham relações subalternas com as potencias ocidentais, que possuíam (e possuem) fortes interesses no recurso natural abundante na Região, o Petróleo. Esses países, por sua vez, passaram a ser governados por Ditaduras (algumas teocráticas) controladas por uma elite local, que, via de regra, mantinha boas relações com as potencias ocidentais.  Por outro lado, o povo desses países, a população mais pobre, historicamente tem passado por grandes dificuldades em termos de empregos e qualidade de vida. Ou seja, apesar de serem ricos, a política de geração de empregos e de serviços públicos como Educação e Saúde são precários. Neste contexto, por carência material e falta de informação, parte da população identifica-se com a proposta extremistas de grupos como o EI. 

Portanto, compreender o EI não é fácil. É um fenômeno complexo que envolve questões históricas, econômicas, étnicas e religiosas. Devemos sempre ficar atentos e buscar informações. 

Algumas matérias: 

Curdos resistem ao Estado Islâmico
http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/10/curdos-resistem-e-estado-islamico-envia-reforcos-a-kobane.html

Britânicos treinam o Exército do Iraque para combater o EI e outras informações sobre o EI: 
http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/10/britanicos-treinam-tropas-iraquianas-para-combater-estado-islamico.html